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"Nada é estático.
Interessa-me perceber as dinâmicas próprias de cada corpo; por isso, persigo o fluxo de montanhas que se movem em suas temporalidades, e também da água que, ao atravessar
a pedra, negocia caminhos e produz continuidade."

Matheus Crespo (1994), nasceu em Campos dos Goytacazes-RJ é artista visual, curador e educador.

 

Formado em Design Gráfico Instituto Federal Fluminense e com Pós-graduação em Museologia, Expografia e Cenografia pela PUC-Minas.

Iniciou sua atuação em 2017 e desde então contribui para construção do cenário artístico e cultural da região. 

Em seu Ateliê recebe e realiza exposições, residências artísticas e outras atividades formativas e de articulação.

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Minha produção artística investiga as formas de convivência entre a natureza e os seres, partindo do entendimento de que a vida se constitui como uma trama contínua entre humanos, não humanos e forças invisíveis.  

Em diálogo com filosofias originárias das Américas e da África, compreendo a existência como relação, vínculo e reciprocidade, e nela a terra se faz parente, uma espécie de força de memoração. É a partir dessa perspectiva que me aproximo do mundo, reconhecendo agência e presença tanto no que é considerado vivo quanto no que, à primeira vista, parece inerte.

Texto escrito em mentoria com Nathália Grilo

Essa compreensão de mundo formou-se ainda na infância, na convivência com meu avô, um homem negro profundamente ligado à terra e à espiritualidade. Padeiro de ofício, cultivava no alimento um gesto de cuidado que, mais tarde, se deslocou para a horta, mantendo o cultivo como prática cotidiana. Sua atenção à presença e à palavra como forma de acolhimento atravessa meu trabalho como ética e fundamento. 

 

Neste caminho, minha prática desenvolve-se a partir da relação com o mundo natural, entendendo-o como um campo ativo de aprendizado no qual o tempo é elemento central.
Sou orientado por perspectivas ancestrais negro-indígenas que concebem a existência como contínua e espiralada; é por meio dessa sensibilidade que alargo meu campo de percepção, transitando pelo silêncio, pela escuta e pela atenção ao entorno.

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O desenho, o carimbo, a colagem e a instalação traduzem essa experiência, dando origem a séries em que parto de imagens preexistentes, como arquivos familiares ou materiais técnicos, estabelecendo diálogos entre diferentes temporalidades. Na série Circuitos, por exemplo, utilizo ilustrações de um livro antigo de instalações elétricas para criar relações entre fluxos de energia e formas orgânicas. Em outros trabalhos, especialmente com carimbos, a imagem constrói-se a partir do gesto, sem projeto prévio, revelando-se ao longo do processo.

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A raiz é elemento central em minha produção pela compreensão de como a linguagem se estrutura, sendo capaz de assumir diferentes formas, ritmos e direções. Ela opera como imagem e também como sistema de comunicação, nutrição e troca; é a partir dela que investigo as relações entre terra, corpo e energia.

Esses estudos desdobram-se no uso de materiais e em um traço poroso que busca estabelecer uma relação de escuta com o suporte. Interessa-me a delicadeza dos papéis e suas texturas, que participam ativamente da construção da imagem, como o carvão que, ao percorrer superfícies, revela camadas e irregularidades que orientam o desenho. Os carimbos surgem como possibilidade matricial, operando a partir da repetição e da diferença, fazendo com que, a cada gesto, a imagem se desloque, produzindo variações e instaurando um campo de multiplicidade.

Em outro eixo da produção, incorporo tranças de cabelo como matéria, num gesto que nasce de uma experiência pessoal de reconexão com o corpo e se desdobra em uma investigação sobre fios como estruturas de ligação. Aproximo raízes, cabelos e circuitos elétricos como sistemas que conduzem energia e estabelecem redes de comunicação.

Em outro eixo da produção, incorporo tranças de cabelo como matéria, num gesto que nasce de uma experiência pessoal de reconexão com o corpo e se desdobra em uma investigação sobre fios como estruturas de ligação. Aproximo raízes, cabelos e circuitos elétricos como sistemas que conduzem energia e estabelecem redes de comunicação.

Exposições

Artrio - 2026

Territórios da Ancestralidade - Galeria Berê

Exposição Processual - 2025

III Bienal Black -Centro Cultural Hélio Oiticica - 2024

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Exposição Nuances - 2024

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Enraizar - 2023

Ateliê Matheus Crespo CPF 149.893.647-40

 Rua Barão da Lagoa Dourada, 212, centro - Campos dos Goytacazes-RJ CEP 28035-212

ateliematheuscrespo@gmail.com - Telefone: (22) 996194173

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